quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Oposição ainda não conseguiu criar "cultura política alternativa" em Moçambique

Michel Cahen:

Michel-CahenO historiador francês Michel Cahen defendeu hoje, em entrevista à Lusa, que os partidos de oposição em Moçambique ainda não conseguiram produzir uma cultura política alternativa.
Cahen considerou que o país precisa de um programa socioeconómico diferente do proposto pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).
"Vejo uma fraqueza do lado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e Movimento Democrático de Moçambique (MDM): estes partidos de oposição ainda não conseguiram trazer uma cultura política alternativa", referiu.
Michel Cahen falava em Maputo à margem da 5.ª Conferência Internacional do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE), que coincide com o 10.º aniversário daquela organização vocacionada para a pesquisa e divulgação de conteúdos científicos.
Para Michel Cahen, Moçambique precisa de uma oposição que apresente modelos alternativos aos da Frelimo, que está no poder desde a independência do país, em 1975.
"Por exemplo, ninguém ainda apresentou, como proposta, a necessidade de se mudar a capital. Geograficamente, a capital deste país devia estar em Quelimane [província da Zambézia], que é, se analisarem bem o mapa, o centro de todo o país", observou o académico.
O pesquisador entende que seriam mudanças nas propostas vindas da oposição que poderiam promover mais a participação dos cidadãos na vida política do país, numa altura em que Moçambique enfrenta "grandes desafios", com a aproximação de um novo ciclo eleitoral e a corrida por um acordo de paz definitivo.
"Os cidadãos são empurrados para as mesas de voto quando pensam que terão mudanças concretas", afirmou Michel Cahen, que considerou "muito interessante" o momento que o país atravessa.
O historiador francês apontou ainda as negociações de paz entre o Governo e a Renamo como um ponto importante no xadrez político moçambicano, lembrando que a primeira exigência da Renamo sobre as províncias autónomas implicaria uma mudança radical.
"Se fossemos a levar em conta a exigência da Renamo como ela propôs num primeiro momento, isso iria implicar que a Frelimo perdesse metade do país. A Frelimo nunca vai aceitar isso, a não ser se for vencida militarmente", acrescentou.
Para Cahen, o problema das províncias autónomas será resolvido com uma alteração constitucional, na medida em que a configuração do sistema político moçambicano tem o governador como um representante do Presidente na província.
"Se não se alterar a Constituição, para se dizer que os governadores já não são representantes do Presidente, mas sim da comunidade, o problema não será resolvido. Por mais que os governadores sejam eleitos", concluiu.
Apesar de Governo e Renamo terem assinado em 1992 o Acordo Geral de Paz, e um segundo acordo em 2014 para a cessação das hostilidades militares, Moçambique vive ciclicamente períodos de violência pós-eleitoral, devido à recusa do principal partido da oposição em aceitar os resultados, alegando fraude.
Em Maio, o líder da Renamo anunciou uma trégua nos confrontos com as Forças de Defesa de Moçambique (FDS) por tempo indeterminado, após contactos com o chefe de Estado moçambicano.
Subordinada ao tema "Desafios da Investigação Social e Económica em Tempos de Crise", a conferência internacional do IESE junta em Maputo professores, estudantes e pesquisadores moçambicanos e internacionais durante três dias.
Lusa – 19.09.2017

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Recuperado telemóvel de Amurane que foi roubado em plena santa missa


A Polícia da República de Moçambique (PRM)  recuperou o celular do presidente do Conselho Municipal de Nampula, Mahamudo Amurane, que teria sido roubado no passado dia 23 de Julho, em plena missa na Sé Catedral local.
Depois de um mês o  telemóvel já está nas mãos  proprietário.  A sua recuperação resultou de um trabalho operativo e investigativo levado a cabo pela Polícia em Nampula, em resposta à participação feita pelo edil na 1ª Esquadra local.
Diligências levadas a cabo, em colaboração com as operadoras em exercício no país, permitiram a localização do celular que, no entanto, estava na posse de um cidadão de origem asiática e residente na cidade de Nampula.
Na ocasião, e segundo soube o Diário de Moçambique, o cidadão terá dito às autoridades que comprara o celular a um cidadão nacional não identificado. A Polícia tratou de solicitar Mahamudo Amurane que, em pleno recinto da 1ª Esquerda e das mãos de alta patente ali em exercício, recebesse de volta o seu celular.
Após tomar conhecimento da recuperação do celular de Mahamudo Amurane, o jornal contacto o pároco da Sé Catedral de Nampula, Bernardo António, que disse não ter sido comunicado dessa realidade.
Bernardo António até se mostrou surpreendido, mas disse acreditar que tal como o fizera aquando do roubo, o edil da terceira maior cidade moçambicana o fará em tempo oportuno para que a igreja tome conhecimento da recuperação do celular.
O padre Bernardo António disse durante a missa do dia 7 de Agosto último, que a igreja estava ferida por viver o que na ocasião chamou de uma situação invulgar, lamentando o facto, na mesma ocasião em que apelava à consciência de quem se tivesse apoderado do celular a devolvê-lo ao dono.
Via sapo

Uso e Aproveitamento da Terra para o agronegócio (1)

19/09/2017

18/09/2017

17/09/2017

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